domingo, 27 de abril de 2008
Embaraço
A vergonha tem o aspecto cognitivo de se ter transgredido uma regra, já no embaraço o incômodo está ligado ao fato de os outros saberem dessa transgressão. Ambos são causados pela situação e exatamente por isso diferem da timidez que é um traço de personalidade (Darwin, 1872; apud Paul Ekman, 1973). A outra diferença entre vergonha e embaraço está na quantidade e intensidade de sorrisos que cada uma delas provoca, sendo estes mais presentes e mais intensos no segundo do que no primeiro (Lewis, 1992; 1995; Miller, 1995; apud Pereira, 2002).
A vergonha é, por natureza, uma emoção moral de caráter aversivo, por fazer o indivíduo fugir da exposição (Barrett,1995; Fischer & Tangney, 1995; Tangney et al., 1996; apud Pereira, 2002), sendo fácil entender a vantagem da utilização de comportamentos próprios ao embaraço, como o sorriso, para apaziguar transgressões leves, mesmo quando não há certeza de que essas transgressões foram observadas (Pereira, 2002).
O sorriso não somente é universal, presente em todas as culturas humanas, como também pode ser identificado em alguns primatas não-humanos, particularmente o chimpanzé (Otta, 1994; apud Pereira, 2002). O rhesus, um primata mais distante do homem que o chimpanzé em filogenia, também possui uma exposição dos dentes silenciosa que pode ser interpretada como sinal de apaziguamento (Hinde, 1994; Otta, 1990; apud Pereira, 2002).
Não só o sorriso como a manifestação de embaraço propriamente dita também pode ser identificada em todas as culturas humanas e em outros animais, inclusive em não-primatas, tal como é observado por Masson & Mc Carthy (2001) no seguinte caso:
“Em um oceanário (onde os animais nunca eram punidos), um golfinho de nariz-de-garrafa, Wela, era treinada a pular fora da água e pegar peixes da mão de uma pessoa. Um dia, quando essa proeza estava sendo fotografada, a treinadora Karen Pryor distraiu-se e esqueceu de deixar cair o peixe como sempre fazia. Em conseqüência, quando Wela pegou o peixe, inadvertidamente, mordeu a mão de Pryor. Wela parecendo ‘imensamente embaraçada’, foi para o fundo do tanque, colocou o focinho em um canto e não veio para fora até que Pryor entrou na água, acariciando-a e adulou-a até ela se acalmar.”
Apesar do exemplo acima citado, é complicado falar nesse tipo de emoção em não-primatas, já que ainda há muita divergência sobre a existência ou não de autoconsciência nesses animais. Em primatas já é mais seguro falar nesse tipo emoção, como pode ser demonstrado na seguinte observação de uma chimpanzé descrita por Masson & Mc Carthy (2001) também:
“A chimpanzé Washoe foi vista enquanto cometia um erro similar [ao da Wela], ameaçando um velho amigo (que tinha crescido dez ou doze centímetros, desde a ultima vez que haviam se encontrado) antes de reconhecer quem era, reagindo com o que seria chamado de embaraço, se Washoe fosse humana.”
Muitos poderiam alegar que tal comportamento é simplesmente um ritual de subordinação, mas então a mesma descrição poderia aplicar-se a uma desculpa, no caso de um ser humano embaraçado (Masson & Mc Carthy, 2001).
Ontogênese
Segundo Otta (1994; apud Pereira, 2002), o sorriso já apareceria nas crianças nos primeiros meses de vida, mesmo ainda não sendo possível vinculá-lo ao embaraço. Ele já estaria desempenhando um papel de atratividade social, no sentido dado por Gilbert (1997; apud Pereira, 2002), devido à maneira como os pais são sensíveis ao sorriso logo no inicio, com a função de gerar apego e receber cuidados.
Entre um ano e dois anos de vida, algumas crianças se caracterizam por timidez acentuada, o que reflete um componente mais biológico (Lewis, 1995; apud Pereira, 2002). O sorriso dessas crianças ainda não significaria embaraço, segundo Darwin (1872; apud Paul Ekman, 1973), já que este surge como resultado de uma falta cometida da qual se tem consciência e que é exposta aos outros. Essa consciência de si dependeria, portanto, de certo desenvolvimento cognitivo. Crianças vivenciariam o embaraço, de acordo com Lewis (1995; apud Pereira, 2002), somente em torno dos três anos de idade, período em que ele considera emergir as emoções conscientes auto-avaliativas. Tal período coincide com as observações de Darwin (1872; apud Paul Ekman, 1973), quanto à emergência do enrubescimento em crianças.
Barret (1995; apud Pereira 2002), no entanto, contrapõe-se a esta idéia, não acreditando na necessidade de cognição mais desenvolvida para o inicio do embaraço e da vergonha. Já Nathanson (1987; apud Pereira, 2002), fala de uma forma de vergonha primitiva que ocorreria em torno de um ano de idade, época que coincide com a idéia do aparecimento da timidez segundo Lewis (1995; apud Pereira, 2002). Freud (1905/1965; apud Pereira, 2002), está entre os autores que colocam o surgimento da vergonha mais tardiamente: iniciaria durante o período de latência, após os seis anos.
Mecanismos Causais
A exibição do embaraço caracteriza-se pela presença do sorriso (Miller, 1995; Lewis, 1995; apud Pereira, 2002), do enrubescimento (Jong, 1999; Leary, 1992; Lewis, 1995; apud Pereira, 2002), como também de movimentos constantes dos olhos e tentativa de se esconder, abaixando ou escondendo o rosto ou o olhar acompanhado de rubor (Darwin, 1872; apud Paul Ekman, 1973).
Segundo Paul Ekman (2003), não é possível, porém, distinguir uma única expressão que caracterize o embaraço, e o rubor não pode ser considerado como tal, uma vez que não acontece em todas as pessoas (em negros, por exemplo). Existe, no entanto, uma seqüência de expressões que caracterizam o embaraço. Talvez isso se deva por ter essa emoção aparecido mais tardiamente na nossa história evolutiva e, portanto não tenha dado tempo de uma expressão eficiente ter sido desenvolvida.
A curto prazo, a pessoa que comete uma “gafe”, ou seja, faz algo que acredita que será julgado de forma negativa pelos outros, tende a olhar a sua volta para verificar se alguém notou a situação que lhe causou embaraço, fica nervosa, sorri, fica “sem graça”, sem saber o que fazer para disfarçar o seu constrangimento, o que causa a ela ainda mais nervosismo (Pereira, 2002).
A longo prazo, a pessoa que sofre uma série de situações embaraçosas passa a se vigiar mais e adquire maior autoconsciência por prestar mais atenção em suas atitudes na sociedade e controlá-las mais (Pereira, 2002).
Já Darwin (1872; apud Masson & Mc Carthy, 2001) considerava o rubor a evidência primária do embaraço e “a mais peculiar e a mais humana de todas as expressões”, alegando que pessoas de todas as raças enrubescem e que isso não é aprendido, já que pessoas que nasceram cegas também o fazem. Porém, pensava que a função do enrubescimento talvez não fosse visual, ou pelo menos não completamente, já que esse fenômeno não precisa ser visível. Muitas pessoas sentem apenas o formigamento da pele característico desse cenário sem avermelhamento visível, explicando, assim, porque os negros não ficam aparentemente vermelhos apesar de apresentarem esse fenômeno mesmo assim.
Função adaptativa
A função estaria relacionada ao cuidado com sua imagem pública, influenciando seu nível de atratividade social, tão importante para a aceitação e, indiretamente, para o sucesso reprodutivo. Mas podemos considerar conseqüências grupais também, pois um grupo em que as pessoas seguem mais as normas poderia ser um grupo mais coeso, com mais desenvolvimento, o que também aumentaria sua chance de sobrevivência (Pereira, 2002).
Ao enrubescer, o embaraçado comunica que percebeu sua gafe e se importa com o que fez e com sua imagem perante os outros, mostrando dividir os mesmo valores sociais que estes (Castelfranchi and Poggi, 1990; apud Miller, 1995). Em um experimento conduzido por Semin e Manstead (1982; apud Pereira, 2002), sujeitos que assistiram aos vídeos de um comprador em uma loja em que este derrubava uma pilha de rolos de papel, avaliaram-no melhor quando este aparecia embaraçado, e melhor ainda quando este reparava a pilha de rolos.
O embaraço serve, portanto, como um pedido de desculpa não verbal para que as circunstâncias que o causaram não se tornem tão ruins quanto o embaraçado sente que são, tendo como objetivo evitar uma má avaliação social do indivíduo pela clara demonstração de seu desapontamento com a situação (Gibbons, 1990; apud Miller, 1995). A reação de “ficar vermelho” ( Leary & Meadows, 1991 apud Miller) e o sorriso, ao produzirem apaziguamento (Otta, 1994; apud Pereira, 2002) e ao despertarem afetos positivos (Otta, Abrosio e Hoshino, 1996; apud Pereira, 2002), trabalham no papel de feedback negativo, suavizando os efeitos de um eventual feedback positivo perigoso, proveniente, por exemplo, da censura de outros indivíduos (Pereira, 2002).
Goffman (1967; apud Miller, 1995) argumenta que o embaraço muitas vezes envolve todas as pessoas presentes. Quando um indivíduo se encontra numa situação que o faz enrubescer, os outros presentes geralmente também enrubescem ou então participam das suas reações de apaziguamento da situação, dizendo, por exemplo, que sua situação não é única ou incomum, podendo utilizar frases como “eu sei como você se sente, isso sempre acontece comigo” para amenizar a situação de embaraço do outro (Cupach & Metts, 1990; apud Miller, 1995).
O desejo de evitar o embaraço serve para guiar a convivência entre as pessoas sendo um importante controle social (Gibbons, 1990; apud Miller, 1995) e, ao evitar um conflito, o embaraço estará contribuindo para a homeostase da sociedade (Pereira, 2002). Por isso, apesar de ser uma emoção incômoda, o embaraço é importante para que possamos superar e concertar as armadilhas inevitáveis da vida em grupo (Miller, 1995).
Referências Bibliográficas
PEREIRA, Yevaldo Lemos (2002). Conseqüências adaptativas e diferenciação de emoções autoconscientes: embaraço, vergonha e humilhação. São Paulo. Dissertação de Mestrado Instituto de Psicologia. USP.
MASSON, Jeffrey Moussaieff, CARTHY, Susan Mc (2001). Quando os elefantes choram.
EKMAN, Paul (1973). Darwin and facial expression; a century of research in review edited by Paul Ekman.
EKMAN, Paul (2003). Emotions revealed recognizing faces and feelings to improve communication and emotional life Paul Ekman.
TANGNEY, June Price & FISHER, Kurt W. (1995). Self-conscious emotions the psychology of shame, guilt, embarrassment, and pride.
terça-feira, 22 de abril de 2008
sábado, 12 de abril de 2008
segunda-feira, 31 de março de 2008
Introdução
...são emoções auto-conscientes - despertam nos indivíduos a consciência de si mesmo.
...são possíveis respostas a situações de erro.
Culpa
CULPA
A culpa é uma emoção que surge da percepção de que um comportamento foi inadequado em relação às regras do grupo em que o indivíduo se insere.
Mosher (1989) aponta que a culpa é uma expectativa generalizada de punição pela violação, concretizada ou não, dos padrões de comportamento morais. Assim, a culpa representaria muito mais uma predisposição cognitiva do que um estado afetivo puro.
CAUSA
Sendo uma emoção autoconsciente, a culpa requer uma série de eventos cognitivos para ser desencadeada. Esses eventos dizem respeito basicamente a uma avaliação que o indivíduo faz de si mesmo em relação às regras morais do grupo em que está inserido.
Na culpa, a ênfase principal recai em um comportamento específico, que aparece como sendo negativo ou transgressor das expectativas grupais. A sensação negativa da culpa e autocrítica relaciona-se, portanto, a uma ação ou padrão de ação específico.
É importante notar que, por causa disso, a culpa é uma emoção menos devastadora do que a vergonha, que envolve uma avaliação negativa do eu como um todo. Numa experiência de culpa, o senso da própria competência pode se manter intacto. Esse fato é importante, pois desencadeará respostas comportamentais distintas para as duas emoções, o que, por sua vez, determinará diferentes funções adaptativas.
Outra avaliação cognitiva necessária para o desencadeamento de uma experiência de culpa diz respeito à habilidade refinada de inferir os estados mentais de outra pessoa. Tendo adquirido a capacidade de realizar isso, o indivíduo se colocará no lugar do outro e imaginará o que ele sente ou pensa e, portanto, como julga a ação supostamente transgressora que foi realizada.
Finalmente, consciente dos estados mentais desencadeados em outras pessoas por sua ação ou dos prejuízos causados, o indivíduo pode antecipar conseqüências e acontecimentos subseqüentes.
Toda essa série de eventos cognitivos complexos são pré-requisitos para o desencadeamento da culpa.
É importante assinalar, no entanto, que alguns pesquisadores, como Barrett (1995) , apontam para uma experiência muito rudimentar de culpa já presente em bebês a partir dos três meses de vida. Essa experiência seria desencadeada pela contingência prazer-desprazer, seguida da percepção, também muito primária, de que um comportamento específico foi eficaz ou não, o que, por sua vez, induziria uma representação de si mesmo e do outro como “bom” ou “ruim”.
FUNÇÃO
Muito se tem falado sobre a culpa, sendo que, em geral, essa emoção aparece relacionada a certas disfunções psicopatológicas e de comportamento. De fato, tanto a presença de um comportamento de culpa excessivo quanto a ausência da culpa não são benéficos.
Mas a depender da sua “dosagem” e das ações e decisões subseqüentes tomadas pelo indivíduo, a culpa tem importante papel funcional, podendo ser tanto um regulador dos processos sociais de um grupo quanto do desenvolvimento do indivíduo.
De modo geral, a culpa contribui para a manutenção de boas relações interpessoais, promovendo comportamentos reguladores como reparação de erros, reconciliação, comunicação do conhecimento das regras do grupo e do desejo de segui-las, inibição de comportamentos amorais ou anti-sociais que colocam em risco a coesão grupal.
Segundo De Rivera (1989), a culpa será positiva quando levar o indivíduo a focar o bem-estar ou o ponto de vista de outras pessoas e será negativa quando o foco recair sobre o próprio ego. Essa linha de pensamento propõe que a culpa é adaptativa se ela eliciar uma preocupação genuína com as pessoas que foram prejudicadas.
O desconforto causado pela culpa também promove importantes regulações intrapsíquicas. O indivíduo desenvolve a consciência de si mesmo e uma reflexão crítica acerca de suas ações enquanto agente social. A culpa dirige o comportamento do indivíduo impelindo-o a fazer coisas que são socialmente aceitas e a evitar aquilo que não tem aprovação social (Tangney e Dearing, 2002). Nesse sentido, há um esforço para desenvolver as qualidades que o grupo elegeu como positivas e para conter comportamentos que poderiam criar conflitos.
ONTOGÊNESE
Desde muito cedo as crianças mostram-se responsivas às emoções (e, em particular, à tristeza) de outras pessoas. No segundo ano de vida é comum que fiquem preocupadas ao perceberem que o outro está triste e, a partir daí, vão gradualmente estabelecendo conexões entre seu próprio comportamento e as expressões emotivas observadas em outras pessoas, sejam elas pais, cuidadores ou amigos.
Mascolo e Fisher (1995) descreveram a seguinte seqüência do desenvolvimento da atribuição de culpa para si mesmo:
- De 7 a 8 meses a criança apenas sente tristeza pelo transtorno causado a outra pessoa. Ela consegue relacionar uma ação agressiva sua, como, por exemplo, ter batido em outra criança, com a expressão de tristeza do outro.
- Com 1 ano e meio a criança já estabelece relações entre comportamentos inadequados mais sutis, como, por exemplo, ter criticado outra criança ou ter se recusado a fazer o que lhe pediam, e as expressões emotivas dos outros. A tristeza que ela sentia nessas ocasiões começa a se diferenciar e surgem as primeiras experiências de culpa.
- Entre 19 e 24 meses aumenta significativamente o número de comportamentos reparativos pró-sociais e algumas crianças começam até mesmo a verbalizar pedidos de desculpas espontâneos.
- À medida que representações mais elaboradas dos outros vão sendo construídas, a criança pode perceber as demandas de reciprocidade social e culpa-se quando não as atende. É o que acontece, por exemplo, ao brincar com os jogos de um amigo e depois não querer emprestar os seus. Isso acontece entre 4 e 5 anos.
- Entre 6 e 8 anos surge a culpa por deixar de cumprir uma promessa
- Só aos 10 anos é que aparece a culpa decorrente da transgressão de uma norma moral mais abstrata, como, por exemplo, quando o indivíduo comporta-se de modo inadequado no que diz respeito às diferentes formas de tratar as pessoas.
- Entre 14 e 17 anos surge a comparação do próprio comportamento com o dos amigos. A culpa pode emergir, então, quando o indivíduo percebe que não é tão eficiente quanto outro em, por exemplo, cumprir suas obrigações, dedicar-se a uma atividade do grupo ou da escola ou respeitar as regras sociais.
FILOGÊNESE
Ao contrário da vergonha que leva o indivíduo a querer evitar o contato social, a culpa é responsável por manter os membros de um grupo positivamente engajados em situações interpessoais. Segundo Tangney (1995), a culpa gera motivações construtivas e estimula o contato social para a efetivação de ações corretivas e reparadoras dos danos causados.
Comportamentos como esses aparecem também em sociedades de primatas. Frans de Waal (2000), observando por muitos anos comunidades de chimpanzés e gorilas, listou uma série de comportamentos conciliatórios e empáticos, que se não são exatamente a expressão de um sentimento de culpa, no mínimo, constituem a base para que o mesmo se desenvolva em seres mais complexos como os humanos.
Quatro tipos de comportamento - empatia, capacidade de aprender e seguir regras sociais, reciprocidade e desejo de fazer as pazes - são a base da sociabilidade e estão presentes nesses animais. A moralidade humana e as emoções morais teriam nascido, portanto, da sociabilidade primata e seriam apenas mais refinadas que a desses animais.
As vantagens que todas as emoções morais como a culpa trazem tanto para o indivíduo quanto para o grupo social são indicativas de que essas emoções teriam sido selecionadas positivamente ao longo do processo evolutivo.
Para o indivíduo, os comportamentos desencadeados pela culpa garantem que ele consiga se manter no seu grupo social mesmo tendo transgredido regras. Protegendo-se do ostracismo ele melhora suas chances de sobrevivência e reprodução.
Para o grupo, as vantagens são a manutenção da harmonia, o que permite um trabalho coeso pela sobrevivência, e o alívio do estresse. Este último fator evita um grande desgaste físico e emocional relacionado à necessidade de se manter sempre em alerta para situações de conflito, o que deixaria o grupo como um todo muito mais vulnerável.